domingo, 3 de fevereiro de 2013

As chegadas

Cheguei ontem de Curitiba e sempre que volto nos primeiros dias fico um pouco depre.
Estou neste momento apenas esperando que o tempo resolva, pois sei que daqui uns dois dias já me acostumei com a distancia de casa, da minha cidade.
Sou filha- de pais separados e aprendi muito cedo em como ficar longe do meu pai.
Adorava chegar na casa dele.
Sabia que iria ser bom, poder abracá-lo, receber o carinho que ele sabia dar daquele jeito de um pai meio durao mas que brincava conosco como nenhum outro. Meu deus como era bom passar as ferias, feriados, finais de semana, qualquer dia mesmo que fosse apenas um com ele.
Mas Ai chegava a hora de ir embora.
Eu chorava o trajeto inteiro. Eram 700km de choradeira, de foz do Iguaçu ate Curitiba. Quando chegava, a própria vida me fazia agüentar o tranco de ficar longe daquele homem que me fazia muita falta nos meus dias. Minhas aulas, minhas amigas, minha natacao, meu jazz, meu inglês, me traziam para a vida, me faziam esquecer que estava com saudade.
O tempo ia passando e a saudade ficava lá guardada ate o momento de ir ate ele novamente....e tudo se repetia.
Eu chegava, brincava, partia, chorava, esquecia e vivia.
Assim achei que aprendi a ficar longe das coisas e pessoas que amo.
Hoje vejo que nao é bem assim
Os primeiros dias dói demais, mas sei que já vou me acostumar. Que a vida vai me fazer esquecer e viver a distancia de cada um que me faz falta aqui.
Pelo menos esses eu sei que os verei novamente, o pior é a saudade daqueles que já nao estão mais aqui e nada me faz esquecer nem mesmo a própria vida como as minhas aulas, meus alunos, minha natacao, meus novos amigos. Essa distancia nao aprendi a esquecer Ainda e penso que nao terei ate o final dos meus dias aprendido.
Quando me mudei para o rio de janeiro imaginei que nao fosse sentir falta tanto quanto sinto exatamente por ter vivido essa história com meu pai. E por isso mergulhei de corpo e alma na mudança tão radical da minha vida. Sabia que seria difícil mas nao coloquei na conta essa saudade que é tão esquisita pra mim, que dói tanto.
Nesse feriado curti a minha família pra caramba, meus sobrinhos, minha mãe, meu irmão, minha prima e filha, tio e tia e algumas amigas. Achei mais uma vez erroneamente que na hora de ir embora, que nao iria chorar...estava pensando o tempo todo que no momento da partida seria mais tranquilo.
Nao foi
Chorei e ainda estou chorando
Sei que vai passar, daqui a pouco passa.
Mas hoje, a chegada no rio, a minha nova casa escolhida por mim, cidade que também amo, nao esta das melhores, esta doendo um pouquinho .
Sempre penso que nao fiz tudo que queria, nao vi todos os meus amigos, nao trouxe tudo que quis.
Devido a essa dor exxxxquisita sempre penso que nao vou mais pra Curitiba só pra nao ter que viver tudo isso de novo. Mas a saudade do calor humano que tenho lá me faz voltar e viver tudo isso de novo.
Tanto chegar lá quanto chegar aqui.
8:40 sempre foi o nosso horário.